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António Zambujo acerta ao pensar que são dele 16 canções de Chico
25/10/2016 10:52 em Música

 

Quando se ouve António Zambujo cair com desenvoltura no samba Injuriado (1998), como se fosse quase um carioca da gema como Chico Buarque de Hollanda, fica fácil entender o significado do título do sétimo álbum do cantor português, Até pensei que fosse minha (MP,B Discos / Som Livre). Extraído de verso da modinha Até pensei (1968), o nome do disco em que Zambujo canta 16 músicas de Chico Buarque faz sentido porque o intérprete lusitano tomou para si essas 16 canções do carioca como se de fato elas fossem dele, Zambujo.
Não é o fadista contemporâneo que canta Chico, embora o clima melancólico do fado permeie Folhetim (1978) – bolero em que Zambujo assume a persona feminina do tema – e a mencionada modinha Até pensei, tristonha pela própria natureza. Até o sotaque português soa menos evidente na interpretação da cortante Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), feita de início a capella e, depois, com arranjo que procura as dissonâncias, os caminhos tortos, para realçar a tensão incômoda do tema.
(Crédito das imagens: capa do álbum Até pensei que fosse minha com obra de Adriana Varejão. António Zambujo e Chico Buarque no estúdio da gravadora Biscoito Fino em foto de divulgação)

 

 
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