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Terça-feira, 14 de fevereiro de 2017 às 16:36 em Música
Nascido há 90 anos, como Tom Jobim, Newton Mendonça tem obra imortal

Discos inéditos, reportagens retrospectivas nos cadernos culturais de grandes jornais e saudações em redes sociais lembraram os 90 anos de nascimento de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), justa e devidamente celebrados em 25 de janeiro desde ano de 2017. Também nascido há 90 anos, no domingo pré-carnavalesco de 14 de fevereiro de 1927, Newton Ferreira de Mendonça – ou simplesmente Newton Mendonça, como foi conhecido artisticamente na década de 1950 este compositor e pianista carioca – também merece todas as saudações pelos 90 anos que poderia estar completando hoje, 14 de fevereiro de 2017, se não tivesse saído precocemente de cena na noite de 22 de novembro de 1960, vítima de infarto, aos jovens 33 anos, quando estava no auge da criatividade.

Newton Mendonça foi um parceiro fundamental de Jobim, com quem compôs no segundo semestre de 1958 o dissonante samba que é carta de intenções da Bossa Nova – Desafinado (gravado ainda em 1958, mas lançado em disco em fevereiro de 1959) – e também o igualmente antológico Samba de uma nota só, lançado em 1960, ano da morte de Newton, mas esboçado desde 1954. Juntos, os parceiros fizeram um terceiro standard de alcance mundial, Meditação, lançado em 1959 em gravação da cantora Isaura Garcia (1919 – 1993).

 Newton Mendonça foi grande. Talvez tivesse até se tornado um gigante como Jobim se não tivesse saído de cena tão cedo, no auge do sucesso da parceria com o amigo. Afinal, o próprio Jobim, que inicialmente era somente compositor e músico, virou cantor a partir de 1963. Newton Mendonça não teve tempo para isso. Talvez fosse realmente desafinado para cantar até o samba histórico que fez com Jobim. Mas o fato é que, mesmo que a notória introspecção tenha dificultado a projeção do artista na década de 1950, Newton Mendonça jamais poderia ter permanecido à sombra de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Com Tom e como Vinicius, ele também construiu obra moderna e revolucionária que pôs o Brasil definitivamente no mapa múndi musical. Pois viva hoje e sempre Newton Mendonça, imortal compositor nascido há exatos 90 anos!

(Crédito da foto: reprodução do YouTube)

Leia mais na coluna de Mauro Ferreira no G1.

 

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